
Chegam-me de longe murmúrios de mudança, visualizo alguma esperança nas entrelinhas dos jornais. Pelo mundo, erguem-se vozes por uma sociedade mais justa, equilibrada e realista. Nos EUA, Obama luta pela igualdade entre as pessoas, defendendo a equiparação dos direitos homossexuais ao resto da sociedade. Os americanos homossexuais ganharam mais direitos na saúde, passando a dispor de tempo livre para dar assistência em caso de doença ao companheiro. Na doença queremos cuidar das pessoas que amamos, sem que com isso percamos o nosso emprego ou tenhamos que pensar em mil e uma formas de conseguir esse tempo (já disponível na lei aos hetero). Por isso, foi uma grande vitória a conquista deste direito fundamental. Outra temática em que Obama quer mexer, prende-se com as forças armadas. Os homossexuais fazem parte das forças armadas, desde que silenciem a sua orientação sexual. Esta política do “Não perguntes, não o digas”, aplicada nos últimos 16 anos, é discriminatória e não pode continuar. E é nesse sentido que este Presidente tem feito grande diferença. Considero irrisório este receio aos homossexuais, sabido que a homossexualidade sempre existiu no seio dos militares. Naturalmente, não é de estranhar, faz parte da natureza humana. Por cá, Sócrates garante que vai levar à Assembleia o casamento homo. É o que espero dele, mesmo que não seja aprovado. As pessoas não podem continuar simplesmente a fingir que não existimos. À medida que a idade vai avançando, sinto cada vez mais as injustiças e não consigo conformar-me com elas, nem tão pouco esquece-las. Mais que o direito à diferença, quero ter direito à indiferença. Não ser apontada pela minha orientação, apenas ser mais uma na “multiplicidade humana”. A minha mãe ainda não diz às amigas que a filha é homossexual (até da palavra tem medo), receia a reacção dos outros (também tenho às vezes). Este comportamento entristece-me e por isso peço mudança, para que todos possamos “sair do armário”. A liberdade de sermos quem somos, não interfere com a liberdade dos outros serem quem são. Há que sair do casulo, aproveitar as vozes que se ouvem cá dentro e exigir MUDANÇA.
Maria
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