
Sócrates prometeu que, se ganhar as legislativas, passará a ser reconhecido no nosso país o direito ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Em Outubro passado, o PS inviabilizou no Parlamento, os projectos de outros partidos neste sentido, pois supostamente o assunto precisava ser discutido na sociedade ou havia coisas mais importantes para se tratar. Mas agora que se aproximam eleições, o voto dos homossexuais já é torna importante, já serve de manchete.
As nossas vidas andam à mercê de jogadas políticas, deixando sempre um rasto de desilusão, de impotência.
Quero iludir-me e sonhar que o meu país será um dia como Espanha, mas as ilusões duram apenas um certo espaço de tempo. Os jornais só se preocupam se vamos poder adoptar e fazer inseminação artificial, como se os homossexuais também não fossem pais e mães, não fossem também filhos de heterossexuais e homossexuais e tão capazes de educar uma criança. Há organizações que intervêm aceitando que a moção de Sócrates exclua a adopção, para a sociedade assimilar as mudanças. Uma sociedade, da qual faço parte, que nem sequer me aceita como homossexual, quanto mais bem casadinha com uma mulher ou a adoptar crianças. Uma sociedade egoísta, castradora e homofóbica.
Uma colega de trabalho, em conversa com outras, referiu “achar ridículo que o governo de Sócrates se preocupe nesta altura com os homossexuais, que há coisas mais sérias para tratar”. Haverá sempre coisas mais importantes para tratar, enquanto continuarmos a ser vistos e tratados como escumalha.
Deixei de ter ilusões, estou cansada de falsas promessas, de olhares de lado e sorrisos amarelos.
Maria
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