quinta-feira, junho 24

S. João do Porto


Este ano, decidimos ir ao Cais de Gaia ver o fogo-de-artifício da festa popular do S. João. Após as sardinhas assadas na brasa com pimento, lá fomos prá rua, que nestes dias está cheia de gente a circular. Tanto no rio como em terra, todos mostravam a sua alegria, uns martelando animadamente nas cabeças circundantes, outros dançando ao som de música animada. A tradição incluí o alho pôrro (fugimos de alguns), o limonete, o ramo de cidreira, os vasos de manjerico com versos populares, os balões de ar quente, os bailes, as marchas, as fogueiras e, dei por mim a questionar-me do porquê do uso dos martelos. Investiguei e fiquei a saber que o martelo foi inventado em 1963 por Manuel Boaventura, um industrial de plásticos do Porto. Tirou a ideia num saleiro/pimenteiro que tinha aspecto de um fole, tendo-lhe adicionado depois um cabo com apito. A moda pegou na queima das fitas e alastrou-se ao S. João. Ironicamente, este ano não martelamos ninguém. O fogo da meia-noite foi bonito como sempre, acompanhado com diversas músicas do mundo. Só nos faltaram as farturas, que já não se vendem por estes lados.

sexta-feira, junho 18

Que palavra usar para despedir-me de Saramago?

Morreu um génio da literatura, José de Sousa Saramago. Polémico (nem sempre compreendido), irreverente, autodidacta, mas indubitavelmente único na maneira de jogar com a palavra. Um Homem de inegável valor, que nos orgulha com a sua vasta e diversificada obra. Delas destaco as três que mais gostei: "Intermitências da Morte", "Todos os nomes" e "Caim". Será sempre recordado como um grande mestre da literatura.
Sentiremos saudades da sua mente BRILHANTE.



Adeus! não, pois "a deus" não se encaixa em Saramago.

Inté Saramago


terça-feira, junho 15

Diga sim pra mim

Então case-se comigo numa noite de luar
Ou na manhã de um domingo a beira mar
Diga sim pra mim
Case-se comigo na igreja e no papel
Vestido branco com bouquet e lua de mel
Diga sim pra mim
Sim pra mim

segunda-feira, junho 7

1º Casamento Homossexual em Portugal


Teresa Pires e Helena Paixão casaram hoje no registo civil.
É o primeiro casamento homossexual em Portugal, e por isso as duas estão de parabéns.
Já referi uma vez  e torno a mencionar, que sois duas mulheres corajosas, firmes nos vossos propósitos e no vosso amor. Fazeis continuamente história no nosso país e por isso sereis sempre lembradas (só vos faltou um beijo bem dado no momento, ai os nervos!).
Desejo-vos as maiores felicidades

Maria

Serralves em festa 2010

Sábado e Domingo, a Serralves esteve em festa. Passamos por lá, como é habitual e viemos enriquecidas com alguns dos eventos. O "tout va bien", projecto dos cartazes publicitários, em que pessoas representavam nos seus interiores, transformou-se numa ideia bastante original. Na dança, saliento "do lugar de onde vou", em que vários jovens nos deliciaram com as suas actuações, particularmente com a dança dos fantasmas. Assistimos a algumas actuações dos "The magic ID", um grupo de música pop cuja vocalista Margareth Kammer tinha uma voz fantástica, a meu ver o único ponto apreciável da banda. Já os "Big Band Esmae" fizeram espectáculo. Esta  orquestra de Jazz fez-nos dançar no prado com o seu repertório. E entre todos os espectáculos, também os jardins de Serralves valem sempre a pena serem visitados, conviver com a natureza é sempre uma óptima fuga ao dia-a-dia.

Maria

quarta-feira, maio 19

A conquista do Casamento Civil Homossexual

Ontem choveram telefonemas de felicitações. O casamento civil homossexual foi promulgado no dia internacional contra o homofobia. Não obstante o tom contrafeito e as palavras menos doces do PR, a verdade é que concluímos mais uma meta das nossas vidas. À parte os valores pessoais de cada um, todos somos iguais perante a Lei. 
E agora começa uma nova etapa. É obvio que a descriminação, o insulto e os medos não vão ficar por aqui, nem alguns vão "sair do armário", mas com tempo tudo se constrói. Antevejo que a caminhada não vai ser fácil, sobretudo para aqueles (como eu) que viveram muitos anos sob o manto da invisibilidade e da omissão, mas será um país mais colorido para os mais novos. 
A Cecília e eu, passamos duas horas a ver vestidos de noivas (não gostamos de nenhum) e bolos de casamento (apetitosos). E que bem soube (esquecendo a despesa que acarretam). 
O futuro ao futuro pertence. Vale a pena correr riscos por aquilo que se deseja. 
Parabéns a todas(os) nós.

Maria

domingo, maio 16

Salvar a vida de Kiana Firouz


O pedido de asilo na Grã-Bretanha da activista lésbica iraniana Kiana  Firouz foi negado. Se regressar ao Irão Kiana será seguramente condenada à morte, por ser lésbica, pela realização do documentário sobre a vida das lésbicas no Irão e também pela participação em cenas de amor lésbico no documentário sobre a sua vida, “Cul de Sac”. 


Petição on-line
Assina a petição on-line em www.petitiononline.com/kianaf/petition-sign.html para apoiar a sua luta e divulga para que o recurso de Kiana seja considerado. 

Carta para o ministro Alan Johnson

Existe também uma carta modelo que pode ser enviada para Alan Johnson, ministro responsável pela revisão da decisão de deportação de Kiana Firouz. http://www.scribd.com/doc/30050832/Letter-to-Alan-Johnson-for-Kiana-Firouz
Poderá ser usado o email public.enquiries@homeoffice.gsi.gov.uk


Papa condena casamento homossexual

Quando soube que Bento XVI vinha a Portugal não acolhi muito bem a noticia. Não é agradável receber um papa anti-gay , sobretudo numa altura em que o casamento homossexual tem a possibilidade de tornar-se uma realidade.
Assistimos nos últimos tempos à tentativa ridícula da Igreja culpabilizar os homossexuais pelos seus próprios crimes de pedofilia. É que há abusadores que são de orientação homossexual e de orientação hereossexual, pelo que não há qualquer relação causa/efeito. Há sim a tentativa clara de estigmatizar a comunidade homossexual. Mas como o resultado não foi o pretendido (porque as pessoas não são tão ignorantes quanto a Igreja gostaria que fossem), há que assumir que o problema afinal está no interior da Igreja.
E tanta humildade e reconhecimento do sofrimento da Igreja, culmina uma vez mais num novo ataque no santuário de Fátima à comunidade LGBT. A condenação do casamento homossexual, como se fossemos um atentado contra os valores essenciais da vida, como a concepção e a família. Por muito, infelizmente, que sua santidade negue a nossa condição de família, saiba que o somos e que também procriamos se o quisermos. Se eu pensar pelo seu prisma redutor, os verdadeiros atentados à "protecção da criação" também vêm da parte da Igreja Católica, cujo clero não procria (ou pelo menos oficialmente). Nós somos tão contra a natureza de Deus e estamos tão longe do seu amor, que Deus não pará de fazer crescer homossexuais. Sejamos filhos de pais heterossexuais ou homossexuais, sejamos pais homossexuais de hetero ou homo, estamos cá presentes na Humanidade, desde sempre. E isto é sinal do amor de Deus por toda a sua criação. Lamento que tenha vindo cá apenas para espalhar mais ódio, fomentar a homofobia, diminuir a esperança num mundo melhor. A verdade só a Deus pertence, bem como o Amor pelos seus Filhos. Sinal disso, estou cá, sou homossexual, creio em Deus e sou feliz. É Ele quem ampara o meu caminho quando as forças me diminuem.

Maria 

Beijos contra a Homofobia


"Desilusão" é o resultado final deste pequeno evento, cuja aderência na estação da Trindade foi quase nula.
Perto das 15h,talvez estivessem presentes umas dez pessoas.O "kiss me" teve de ser à porta da estação, para não importunar a normal circulação das pessoas (como se estivéssemos em hora de ponta) mas também porque o pequeno grupo de jovens lá presentes para se manifestar (apoio ao evento) parecia "aterrado de medo". Assim, às 15h e ao fim de algumas hesitações lá soaram o apito. Talvez tenhamos sido eu e a Cecília as primeiras a beijar-nos, tendo a maioria ficado pelos abraços aos pares e grupos. Não compreendi o motivo porque se puseram a abraçar em grupos, quando a intenção é expressar o amor e o afecto entre duas pessoas que se amam.
A trinta segundos do final, lá chegou mais um grupo 20 jovens, atrasados, contribuindo assim para uma maior visibilidade do acontecimento. Sem informação alguma do acontecimento que decorria, sem aparato, não passou de um momento sem significado político ou social. Apesar do apoio do MICA-me, tudo foi manifestamente insuficiente.

É este país que nós temos, que pouco luta pela visibilidade do Amor.

Maria

segunda-feira, maio 10

Nigella Lawson

Nigella Lawson é a minha segunda cozinheira predilecta, pois a primeira como sabem é a minha Cecília. Mas hoje, é sobre a chef britânica que vou escrever. Desde que a vi pela primeira vez na Sic Mulher, a preparar umas das suas deliciosas receitas, fiquei não só impressionada com a habilidade com que faz receitas difíceis parecerem fáceis, mas também com a envolvência de todo o programa. Lawson mostra-nos que a boa cozinha não é incompatível com a azáfama do dia-a-dia, havendo programas em que aparece a cada intervalo dos cozinhados a cuidar dos filhos, do cabelo, da roupa para levar a uma festa, dos amigos. E faz tudo com uma naturalidade e um requinte encantadores. Além do mais, continua sendo uma mulher lindíssima, aos 50 anos. Experimentem as suas receitas em www.nigella.com.
Como ela costuma dizer: Delicious.

Maria

Great Global Kiss-in

Celebrar o amor com todas as cores. É este o mote da incitava Great Global Kiss-in, organizada pela IDAHO, que pretende juntar pessoas em todo o mundo para um acontecimento flash mob nas principais cidades.
Um beijo é uma expressão simples de amor e afeto entre duas pessoas que se amam: não há nada vulgar, obsceno ou nojento nele. Em maio de 2009, um grupo de alunos franceses cansou-se do desconforto que é beijar o/a companheiro/a em público e decidiu organizar o primeiro kiss-in. Juntaram-se e, durante 5 minutos, na cidade do amor, beijaram os seus companheiros para espanto dos transeuntes. A intenção é alertar para a necessidade de banalizar as expressões de afeto entre homossexuais, tudo num ambiente amigável e descontraído.
Este ano, o MICA-me junta-se esta causa, e por altura da comemoração do Dia Internacional Contra a Homofobia e Transfobia a 17 de maio, pretende, assim, juntar todos os que acreditam no amor e na igualdade – sejam gays, lésbicas, bissexuais, heteros ou pansexuais. É já dia 15 de maio (sábado), às 15h, na estação de metro da Trindade no Porto, e no Largo do Chiado (junto ao Café A Brasileira) em Lisboa.  Só precisas de trazer o/a teu/tua namorado(a), marido, esposa, companheiro(a) ou amigo(a) e, ao som do apito, beijarem-se ou abraçarem-se durante cinco minutos pela igualdade.

domingo, maio 9

"Minha mãe dê-me um beijinho"

Hoje foi a festa das mães na Igreja Anglicana. De há uns anos para cá, assisto à missa deste dia, em que se oferece uma rosa às mães. A minha mãe recebeu efectivamente a semana passada uma pequena lembrança, no dia 2 de Maio, e hoje teve lugar a minha "sogra". Há um poema que é sempre escolhido para ser cantado no dia de hoje, que se chama "minha mãe dê-me um beijinho" que me deixa sempre à beira das lágrimas. E toca-me muito porque, apesar de gostar muito da minha mãe e sentir apreço pela minha sogra (segunda mãe), sinto cá dentro uma mágoa muito grande por ambas. Às vezes, eu gostava de ser mais forte para ultrapassar esses abrolhos que ficam pelo caminho, mas não consigo.
De qualquer modo,deixo aqui esta canção para elas:

"Minha Mãe, dê-me um beijinho,
Outro e outro, faz favor.
Não há como o seu carinho
Não há como o seu amor.
Minha Mãe, dê-me um beijinho
ao seu peito me criou.
Quando eu era pequenino
quantas lágrimas chorou.
Minha Mãe, dê-me um beijinho,
Lembra-me o Senhor Jesus
Que também foi pequenino
E morreu sobre uma cruz.
Minha Mãe, dê-me um beijinho,
Também a quero abraçar,
Quer beijá-la o seu filhinho
Que não quer vê-la a chorar.
Minha Mãe, dê-me um beijinho,
Mesmo quando grande eu fôr,
Não me deixe aqui sozinho,
Não ma leves meu Senhor.
Minha Mãe, dê-me um beijinho,
Outro e outro, faz favor.
Não há como o seu carinho,
Não há como o seu amor."

Maria
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