segunda-feira, novembro 2

O que separa as igrejas cristãs?


Não posso deixar de sentir-me chocada e confusa com os acontecimentos dos últimos dias. Alguns grupos de anglicanos pediram para serem integrados na Igreja Católica. A reunificação das duas igrejas até seria um bom projecto, se os motivos de fundo não fossem os que se apresentam: a ordenação de mulheres a

Bispo e a orientação homossexual. Em pleno século XXI, choca-me que factores de género e de orientação sexual ainda sejam motivo de segregação e discriminação. Para os cristãos anglicanos, os tabus sexuais ou de género já são considerados supérfluos e divisionistas, zelando-se mais pelos Direitos Humanos. A Igreja Anglicana ganhará com a saída destes clérigos presos à Tradição, castradores e conservadores, permitindo-lhe assim uma nova reestruturação. Ora, a igreja Católica, carente de padres, está a criar uma estrutura especial para acolher os anglicanos descontentes. Especial porque muitos padres anglicanos são casados, e como é sabido, a igreja católica não aceita que padres se possam casar. Excepção para uns? E os outros? E como saberão se são homossexuais ou não? Lamento é que neste tempo em que se luta por Direitos Humanos, se vejam ainda pretensos religiosos a incentivar divisões e diferenças. Que pode oferecer uma Igreja que nem reconhece a igualdade das mulheres ou a diversidade da orientação sexual dos seres humanos?

Maria

terça-feira, outubro 27

Direitos das pessoas não são referendáveis

Agora querem referendar o casamento homossexual?
Querem referendar direitos das pessoas?
Direitos das pessoas não são referendáveis.
Não sei o que os movimentos pró vida têm contra o casamento homossexual, pois ainda não percebi de que forma é que as uniões homossexuais têm alterado o ciclo de vida, para terem assim tanto medo de nós. Muitos homossexuais também concebem vidas, não é propriedade exclusiva de heterossexuais. O amor é sinónimo de vida e também esta exclusividade não é dos hetero, homossexuais também se amam muito. Se assim é, também o casamento civil deve ser para todos, pois todos deveremos ser iguais perante a Lei.
Isilda Pegado, presidente da federação Portuguesa pela Vida, afirmou "Essa minoria já tem o direito que reclama. O direito de viver como outras pessoas, nas suas circunstâncias física e psíquica próprias do homossexual. E os seus afectos não são sindicáveis pela lei". Esta senhora claramente não sabe do que fala. Em primeiro lugar, não temos ainda o direito que reclamamos de casar (diga-se com o mesmo sexo, salvaguardando-nos desde já da sua mente imaginativa); em segundo lugar, tem certamente poucos ou nenhuns conhecimentos sobre casais homossexuais, pois não sabe em que circunstâncias física e psíquica muitos homossexuais são obrigados a viver. E a lei tem SIM que alterar esta situação discriminatória.
Olhando também para um grupinho de militantes socialistas católicos, que se sentem incomodados, só peço que Deus lhes transforme o pensamento turvo, pois perderam-se certamente da luz. “Ignorância é dose”.


Maria

sexta-feira, outubro 23

MUDANÇA


Chegam-me de longe murmúrios de mudança, visualizo alguma esperança nas entrelinhas dos jornais. Pelo mundo, erguem-se vozes por uma sociedade mais justa, equilibrada e realista. Nos EUA, Obama luta pela igualdade entre as pessoas, defendendo a equiparação dos direitos homossexuais ao resto da sociedade. Os americanos homossexuais ganharam mais direitos na saúde, passando a dispor de tempo livre para dar assistência em caso de doença ao companheiro. Na doença queremos cuidar das pessoas que amamos, sem que com isso percamos o nosso emprego ou tenhamos que pensar em mil e uma formas de conseguir esse tempo (já disponível na lei aos hetero). Por isso, foi uma grande vitória a conquista deste direito fundamental. Outra temática em que Obama quer mexer, prende-se com as forças armadas. Os homossexuais fazem parte das forças armadas, desde que silenciem a sua orientação sexual. Esta política do “Não perguntes, não o digas”, aplicada nos últimos 16 anos, é discriminatória e não pode continuar. E é nesse sentido que este Presidente tem feito grande diferença. Considero irrisório este receio aos homossexuais, sabido que a homossexualidade sempre existiu no seio dos militares. Naturalmente, não é de estranhar, faz parte da natureza humana. Por cá, Sócrates garante que vai levar à Assembleia o casamento homo. É o que espero dele, mesmo que não seja aprovado. As pessoas não podem continuar simplesmente a fingir que não existimos. À medida que a idade vai avançando, sinto cada vez mais as injustiças e não consigo conformar-me com elas, nem tão pouco esquece-las. Mais que o direito à diferença, quero ter direito à indiferença. Não ser apontada pela minha orientação, apenas ser mais uma na “multiplicidade humana”. A minha mãe ainda não diz às amigas que a filha é homossexual (até da palavra tem medo), receia a reacção dos outros (também tenho às vezes). Este comportamento entristece-me e por isso peço mudança, para que todos possamos “sair do armário”. A liberdade de sermos quem somos, não interfere com a liberdade dos outros serem quem são. Há que sair do casulo, aproveitar as vozes que se ouvem cá dentro e exigir MUDANÇA.

Maria

quarta-feira, setembro 30

Estamos de Parabéns

Estamos de Parabéns!
Eu, a Cecília e todos os que votaram no Partido Socialista, todos os que votaram pelo sonho de verem as suas relações protegidas e dignificadas pela lei (entre inúmeros outros motivos).
Domingo passado, passei a olhar com mais esperança para este meu país, onde nasci, vivo e espero continuar a viver.
Esperança, mais que um sentimento, é um movimento envolvendo milhares de famílias. E quem não viu as bandeiras do arco-íris entrelaçando-se nas do PS? Apesar de ter conseguido apenas uma maioria relativa, acredito que com apoio do BE e PCP e de muita luta pelo meio,consigamos chegar a bom porto. Já as quezílias entre o Presidente da Republica e o Primeiro Ministro preocupam-me, pois criam um ambiente político pouco saudável. Estou atenta a este Presidente que se diz de todos, mas se esquece de alguns portugueses.
Mas como a esperança é a última a morrer, e eu sou uma mulher paciente, partilho aqui convosco a minha esperança fortalecida.
Parabéns PS, parabéns Sócrates!


Maria

quarta-feira, setembro 9

PRESA POR USAR CALÇAS


A jornalista sudanesa Lubna Ahmed Al-Hussein, foi presa anteontem por se ter negado a pagar uma multa de 140 Euros por vestir calças.
Em Julho, foi detida pela polícia num restaurante de Cartum, por usar "vestuário impróprio", bem como 12 outras mulheres. Lubna contestou a acusação,ao passo que dez das detidas levaram 10 chicotadas cada uma. O Estado prevê uma pena máxima de 40 chicotadas para quem "cometa actos indecentes, viole a moral publica ou vista roupas indecentes". A jornalista declarou não pagar a multa, preferindo ir para a cadeia.
Em seu apoio, cerca de 100 pessoas manifestaram-se frente ao Tribunal de Cartum (a maioria mulheres de calças), acabando cerca de 40 mulheres por serem detidas.
"Que passagem do Corão é que refere que as mulheres não podem andar de calças?"
São mulheres, como estas, seguras e corajosas, que lutam pela fim da precariedade da condição feminina, da repressão religiosa e social.

Serão as calças sinónimo de poder (quero, posso e mando)? Poder masculino e não feminino? Há quantos anos usamos calças?
Mulheres unidas fazem a força, provocam mudanças.

Os bons ventos da mudança. Coragem Lubna.

Maria

terça-feira, agosto 25

Nós também somos família Sr. Presidente

Lamento que, uma vez mais, tenhamos sido remetidos para segundo plano.
O Presidente da Republica vetou a nova lei das uniões de facto, considerando-a demasiado próxima juridicamente do casamento e inoportuna na actual conjuntura política (vésperas eleições), entre outras.
Ora, sabendo-se que a actual lei, nos termos em que existe, carece de reforço do seu regime jurídico, parece-me insensível esta atitude presidencial, não permitindo a correcção de injustiças.
Compreendo, que não queira equiparar em direitos e deveres a união de facto ao casamento civil entre heterossexuais, para permitir-lhes mais liberdade de opção, mas tal não tem lógica para os homossexuais.
Heterossexuais já têm o direito de escolha e Homossexuais não.
Onde está aqui a nossa escolha pessoal e opção de liberdade?
Nós também somos família Sr. Presidente, merecemos ser tratados em igualdade pela lei. Queremos, por direito, o alargamento da protecção da casa de morada da família em caso de morte do membro proprietário, a protecção social no acesso ao regime das pensões por morte e o acesso aos alimentos por parte do membro sobrevivo, entre outros.
Também somos cidadãos deste país, fazemos descontos para a segurança social e para o IRS, porque não nos protege o Estado?

Seremos “filhos da rua”?

Maria

sábado, agosto 15

Judith Teixeira - Poetisa Modernista



Judith Teixeira, nasceu em Viseu em 1980.
Perseguida e enxovalhada pela sua escrita e modo de estar na vida, falou do amor e do erotismo entre mulheres. A temática do homoerotismo ergue um ciclone de reacções na sociedade em vias de entrar em regime ditatorial. Escreveu alguns livros, como "Decadência", "Castelo de Sombras" e "Nua", tendo também publicado poemas soltos na revista Contemporânea. O livro "Decadência" saiu em Fevereiro de 1923. No mesmo ano, o Governo Civil de Lisboa apreendeu este livro, apelidado de "imoral", "literatura dissolvente" que "corroía a moral e os costumes". O seu livro foi queimado e a nossa escritora apelidada de "desenvergonhada". Também os livros de Sodoma Divinizada de Raúl Leal e das Canções de António Botto foram queimados. Ainda no mesmo ano, publicou "Castelo de Sombras" e editou novamente "Decadência". Em 1926 publicou o livro "Nua" e editou e dirigiu a revista Europa. Em Junho, já com o livro “Nua” à venda, sairia no jornal Revolução Nacional (jornal de propaganda da ditadura), um texto onde era referido o livro "Nua" como "uma das vergonhas sexuais e literárias". Publicou ainda "Satânia", enfrentando tudo e todos. Foi ridicularizada publicamente, apelidada de lésbica e caricaturada. Num ultimo gesto, publicou o "Poemeto das Sombras" na revista Terras de Portugal, não se tendo ouvido dela mais uma palavra. Morreu em 1959.
A literatura de Botto e Leal, ainda hoje são faladas, omitindo-se aquela que também viu um livro seu em labareda. Pisada pela moral vigente, em que as mulheres tinham que enquadrar-se em determinados padrões, em que sexo ainda era coisa de homens e onde a homossexualidade ainda era crime punido com medidas de segurança (o internamento em manicómio criminal, a interdição do exercício de profissão, etc), Judith Teixeira será sempre lembrada como uma mulher corajosa, uma poetisa sáfica modernista que enfrentou a sua época.


A MINHA AMANTE

Dizem que eu tenho amores contigo!
Deixa-os dizer!…
Eles sabem lá o que há de sublime
Nos meus sonhos de prazer…
De madrugada, logo ao despertar,
Há quem me tenha ouvido gritar
Pelo teu nome…

Dizem
- e eu não protesto -
Que seja qual foro meu aspecto
tu estás
na minha fisionomia
e no meu gesto!

Dizem que eu me embriago toda em cores
Para te esquecer…
E que de noite pelos corredores
Quando vou passando para te ir buscar,
Levo risos de louca, no olhar!

Não entendem dos meus amores
contigo
-Não entendem deste luar de beijos…
- Há quem lhe chame a tara perversa,
Dum ser destrambelhado e sensual!
Chamam-te o génio do mal -
O meu castigo…
E eu em sombras alheio-me dispersa…

E ninguém sabe que é de ti que eu
vivo…
Que és tu que doiras ainda,
O meu castelo em ruína…
Que fazes da hora má, a hora linda
Dos meus sonhos voluptuosos -
Não faltes aos meus apelos dolorosos
- Adormenta esta dor que me domina!





Maria

domingo, agosto 9

XIII Viagem medieval em terra de Santa Maria


Santa Maria da Feira recuou ao século XIV, deliciando-nos com a recriação de episódios que marcaram a história local e nacional da Idade Média. O tema deste ano foi o reinado de D. Afonso IV, revivendo-se os conflitos internos do reino de Portugal e os conflitos com o reino de Castela. A viagem foi certamente a maior de todas, tanto em área ocupada como em número de visitantes. Estavam milhares de pessoas quando lá estive, da qual resultaram longas filas de espera para o espeto de porco nas áreas alimentares (cerca de 1 hora para ser servida). Mas valeu a pena. É sempre gratificante ver tanta animação em redor, deixando-nos contagiadas. E contagiada fiquei com a expressão teatral de seis senhoritas, que recreando a época, deslocavam-se em pequenos pulinhos, com tanta graciosidade (ninguém conseguia ficar-lhes indiferente); com uns miudinhos que equilibrando-se sobre andas, disfarçados de cavalos e serpentes, largavam magia por onde passavam naquele passo cambaleante; por soldados vestidos a rigor, de semblante sério para o flash das nossas objectivas; com as justas e o assalto ao arraial, que são sempre momentos a não perder. Há, já me esquecia, os doces! Irresistíveis tentações, qualquer um deles, de fazer crescer água na boca. Já experimentaram as sementes de girassol torradas? Deliciosas. Se perderam, para o ano há mais.
Maria
Fotos: Cecília

Educação Sexual já a partir de Setembro


Finalmente foi publicado em Diário da Republica o diploma que estabelece a aplicação da educação sexual nos estabelecimentos de ensino básico e secundário no próximo ano lectivo. Constituem finalidades da educação sexual “a valorização da sexualidade e efectividade entre as pessoas no desenvolvimento individual, respeitando o pluralismo das concepções existentes na sociedade portuguesa;
a redução de consequências negativas dos comportamentos sexuais de risco, tais como a gravidez não desejada e as infecções sexualmente transmissíveis;
o respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais;
a eliminação de comportamentos baseados na discriminação
sexual ou na violência em função do sexo ou orientação sexual;
a promoção da igualdade entre os sexos
”.
Este projecto pressupõe a participação de professores, pais, alunos e técnicos de saúde, devendo o projecto de cada turma ser elaborado pelo director de turma e pelo professor responsável pela educação para a saúde e educação sexual, visando os conteúdos previstos na lei. Ao Ministério da educação caberá garantir a formação necessária dos professores na condução desta matéria, preocupando-me o modo como as temáticas homossexuais possam ser transmitidas por professores e pais homofóbicos. Á parte este pormenor, é um passo importante para formarmos uma sociedade mais responsável e informada, onde o pluralismo das concepções sexuais seja respeitado.
A ignorância combate-se através da educação, que permitirá escolhas mais informadas e seguras.
Uma sociedade informada é uma sociedade mais equilibrada.

Cecília

sábado, agosto 1

TC e Helena Paixão e Teresa Pires

Helena Paixão e Teresa Pires, continuam a saga das suas vidas. Desde 2006 que tentam legalizar a sua união, mas prevê-se que o Tribunal Constitucional irá recusar o casamento entre estas duas mulheres. Conforme explica o constitucionalista Vital Moreira “a decisão quer dizer que o Tribunal entende que a Constituição não impõe a legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo, mas não quer dizer que a Constituição o proíba". Segundo o “Diário Económico”, dos cinco conselheiros do TC, três votaram contra o casamento e dois votaram a favor. Este casal, a quem admiro a coragem e persistência, promete recorrer ao Tribunal Europeu.
Devemos juntar as nossas vozes às suas. Os partidos políticos à esquerda, BE, PS e “os verdes” manifestam vontade em nos apoiar (apesar do PS ter tido um acto de covardia em Outubro passado e agora parecer estar a usarmos para a sua campanha). Há que olhar para o futuro. Acredito num presente melhor para todos nós. Enquanto houver pessoas, como estas mulheres, a luta continua. Força, força, força.

Maria

quarta-feira, julho 22

J. K. Rowling e Harry Potter


Não sei se sabem, mas sou uma “devoradora” de bons livros e há uma autora, entre quatro ou cinco que aprecio bastante, a quem quero deixar umas palavras de admiração, pelos excelentes livros que escreveu. Refiro-me a Joanne Rowling, mais conhecida como J.K. Rowling, a famosa escritora britânica de ficção, autora dos sete fantásticos livros da série Harry Potter: Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry Potter e a Câmara Secreta, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, Harry Potter e o Cálice de Fogo, Harry Potter e a Ordem da Fênix, Harry Potter e o Enigma do Príncipe e Harry Potter e as Relíquias da Morte.
Obviamente li-os todos e deixem-me dizer-lhes que não sei onde vai buscar tanta imaginação: a fantástica escola de Hogwarts, repleta de aventuras e magia, vassouras voadoras, o Quiditch, personagens que se movimentam nos quadros e jornais, guloseimas com sabores horríveis, gigantes, elfos manipuladores e Harry, Ron, Hermione, Dumbledore, Snape, Voldmort e Malfoy, personagens empolgantes desta saga, entre tantas outras coisas fabulosas.
Os seus livros foram traduzidos para 64 línguas, tendo-se tornado uma das mulheres mais ricas do mundo. A saga tem sido acompanhada cinematograficamente, com grande sucesso (tenho visto todos), mas não consegue transmitir-me o fascínio dos livros.
Parabéns Joanne Rowling.

Maria
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...