quarta-feira, fevereiro 11

Questão de vanguarda desfocada?


Toda a vez que leio certos comentários por parte da Igreja, nomeadamente de alguns dos seus membros (como os que resultaram ontem do secretário do conselho permanente da Conferência episcopal Portuguesa), não deixo de sentir uma profunda revolta, como se me dessem constantemente um soco no estômago.
Como muitas outras pessoas, fui baptizada na Igreja católica, andei na catequese, cresci nos seus ensinamentos. Fui uma linda menina até ao dia em que assumi que era homossexual e, de repente, sem saber bem como, catalogaram-me de patinho feio, anormal, aberração, sapatona. Carimbaram a minha ficha “excluída da Igreja”.
Sou uma filha de Deus, mas que importa isso? Quererá a Igreja fazer-me acreditar que Deus distingue os seus filhos com base na orientação sexual e na sua capacidade de procriação?
Remetem-me a mim e a milhões de pessoas para um canto, fazem-nos sofrer em silêncio, contribuindo também para as penalizações sociais e para a discriminação. O padre Manuel Morujão acha que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma ameaça à sociedade, que para casos diferentes, soluções diferentes. De que têm tanto medo?
Os homossexuais existiram, existem e existirão enquanto houver humanidade, goste ou não a Igreja. Os homossexuais têm filhos, goste ou não a Igreja. Os homossexuais constituem FAMÍLIAS, goste ou não a Igreja, aceite ou não. A formalização do casamento civil não ameaça a sociedade, pois casais homossexuais sempre existiram, por muita perseguição que possa haver. Pelo contrário, a formalização do casamento engrandece a sociedade, na medida em que reconhece os direitos de todas os cidadãos, como o direito ao património, à assistência familiar, à pensão de viuvez, etc. Direito à igual protecção das nossas vidas.
Não sou diferente, não quero uma solução diferente. Não sou uma cidadã de segunda.
Acusam o PS de abrir “feridas profundas” na sociedade. Ora ainda bem que há um partido que consegue enxergar um problema social e tenta sará-lo. Não se trata de vanguarda desfocada a luta por direitos humanos. A Igreja deve andar afastada dos corações homossexuais, pois se soubesse minimamente o sofrimento diário que muitos de nós vivemos, não diria que queremos acenar com uma “bandeira facilitista”.
Não vou deixar de falar, escrever e trabalhar por uma sociedade estruturada, onde tenho lugar. Se neste momento, a nossa Constituição da República não contempla o casamento homossexual, contemplará certamente um dia. Não vou cruzar os braços, quero uma sociedade mais justa, menos castradora, onde a próxima geração possa nascer e crescer com horizontes diferentes dos meus, sem medos, sem vergonha. Livres.

http://jn.sapo.pt/paginainicial/Nacional/interior.aspx?content_id=1141417

Maria

quinta-feira, janeiro 29

Não percam o filme "MILK"


"EU VENHO RECRUTAR-VOS" é o famoso slogan de Harvey Milk, primeiro político gay assumido publicamente nos Estados Unidos. A história de Milk é mais do que um filme, é um pouco da vida de todos nós. A conquista dos direitos homossexuais na cidade de S. Francisco foi um dos seus grandes objectivos. A união fez a força e derrubou gradualmente toda a opressão existente. O filme mostra como a visibilidade é importante para destruir barreiras, medos e dar força aos jovens para lutarem contra o preconceito.
Senti um profundo orgulho da comunidade homossexual, não por sermos melhores ou diferentes, mas por lutarmos por quem somos e pelo que sentimos. É a união que faz a força, recrutemo-nos todos para uma vida mais visível e digna. Obrigado MILK.

Cecília

sexta-feira, janeiro 23

Uns devem ser filhos de Deus e outros do diabo


O ex-presidente da República, Mário Soares , criticou a proposta de Sócrates sobre casamentos homossexuais na actual conjuntura do país, afirmando que são uma questão de consciência, ao mesmo tempo que advertiu que não são esses os problemas fundamentais do país. Ele, por seu lado, agiria de forma a acabar com as desigualdades sociais, dar mais prestígio ao trabalho e aos trabalhadores. Acaso, não é isso também que o PS está a propor? Diminuir a desigualdade social entre homossexuais e heterossexuais? Criar as mesmas condições de trabalho para uns e outros? Zelar para que um trabalhador não tenha de esconder a sua orientação sexual, por receio de discriminação e desemprego? Terminar com os jogos de escondidas?
E, no entanto, no que diz respeito à recente afirmação de Dom Policarpo relativamente aos casamentos muçulmanos, Mário Soares acha que os casamentos são uma questão individual, cada pessoa casa com quer quer e as senhoras casam com quem querem. Não aplica o mesmo princípio aos casamentos homossexuais. Afinal, onde se coloca a questão individual? Cada pessoa casa com quer quer?
Pois é, parece que uns podem e outros não, uns devem ser filhos de Deus e outros do diabo.

Maria

Moção de Sócrates


Sócrates prometeu que, se ganhar as legislativas, passará a ser reconhecido no nosso país o direito ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Em Outubro passado, o PS inviabilizou no Parlamento, os projectos de outros partidos neste sentido, pois supostamente o assunto precisava ser discutido na sociedade ou havia coisas mais importantes para se tratar. Mas agora que se aproximam eleições, o voto dos homossexuais já é torna importante, já serve de manchete.

As nossas vidas andam à mercê de jogadas políticas, deixando sempre um rasto de desilusão, de impotência.

Quero iludir-me e sonhar que o meu país será um dia como Espanha, mas as ilusões duram apenas um certo espaço de tempo. Os jornais só se preocupam se vamos poder adoptar e fazer inseminação artificial, como se os homossexuais também não fossem pais e mães, não fossem também filhos de heterossexuais e homossexuais e tão capazes de educar uma criança. Há organizações que intervêm aceitando que a moção de Sócrates exclua a adopção, para a sociedade assimilar as mudanças. Uma sociedade, da qual faço parte, que nem sequer me aceita como homossexual, quanto mais bem casadinha com uma mulher ou a adoptar crianças. Uma sociedade egoísta, castradora e homofóbica.

Uma colega de trabalho, em conversa com outras, referiu “achar ridículo que o governo de Sócrates se preocupe nesta altura com os homossexuais, que há coisas mais sérias para tratar”. Haverá sempre coisas mais importantes para tratar, enquanto continuarmos a ser vistos e tratados como escumalha.

Deixei de ter ilusões, estou cansada de falsas promessas, de olhares de lado e sorrisos amarelos.


Maria

quarta-feira, dezembro 24

terça-feira, novembro 18

Reflexão

"Quando se viaja em direcção a um objectivo (...) é muito importante prestar atenção ao caminho.
O caminho é que nos ensina sempre a melhor maneira de chegar e enriquece-nos enquanto o cruzamos."
Paulo Coelho

domingo, novembro 9

Madrid


Ruas apinhadas de gente, edifícios grandiosos, praças exuberantes (Plaza Mayor) e belas fontes, como a de Cibeles e Apólo. Numa cidade tão grande e encantadora, é obrigatória aos amantes de arte clássica uma visita ao museu do Prado e ao Museu Rainha Sofia, para os apreciadores de arte moderna (com obras de Miró, Dali e Picasso), sem obviamente esquecer o Museu Thyssen-Bornemisza.
O museu de Cera é espectacular na recriação de épocas, desde os bárbaros até á monarquia actual. A escravatura, os descobrimentos, touradas, batalhas, diversas figuras públicas estão lá expostas para delícia das nossas máquinas fotográficas, que nos podem imortalizar com algum famoso.
Para descansar junto da natureza, passem pelo Jardim Botânico, que tem uma colecção fantástica de bonsais de exterior e uma estufa muito exótica.
Namorem no Jardim do Retiro, que é lindo e enorme, onde podem caminhar, rebolar na relva, praticar desporto, dançar música latina em grupo, andar de barco no lago ou receber banhos de sol junto ao monumento do retiro, que é lindíssimo. Experimentem descalçar-se no Palácio de Cristal e sentir a água gelada nos pés, por puro gozo artístico.
Nos arredores da cidade, aproveitem para visitar o zoo, que é sempre muito agradável. O show de leões-marinhos e golfinhos vale bem a pena, além de que têm umas treinadoras muito giras.
Gastronomia…nada iguala o nosso país. Não aprecio comida espanhola, por isso comi muitos bocadillos de jamón.
Dizem que os madrilenos raramente dormem e é verdade, velhos e jovens saem à rua numa constante diversão. E diversão passa pela Chueca. No bar “Truco”, dancem animadamente ao som de música espanhola e no “The Planet”, um bar giro e acolhedor, finamente decorado com retratos das artistas da série L Word, desfrutem de bom ambiente feminino (experimentem sobretudo aos sábados) e boa música.
Namorem por lá à vontade, pois dá prazer ver casais homossexuais manifestarem o seu amor livremente.
É uma cidade muito bonita. Que saudades de Madrid!

Maria

Instabilidade na Califórnia

O Estado Norte-americano da Califórnia anunciou esta semana a aprovação em referendo da interdição do casamento homossexual, através de uma iniciativa pública que define o casamento “como a união de pessoas de sexos diferentes”.
18000 Casais homossexuais, são assim lançados na incerteza jurídica da validade das suas uniões.
Espero que a Lei não retire o direito que lhes foi concedido, pois é um direito humano que nos assiste e é a Lei que nos tem de proteger da sociedade hipócrita em que vivemos, que marginaliza e oprime o amor homossexual.

Maria

quinta-feira, outubro 9

Casamento Civil


Esta foi a mensagem que enviamos aos deputados para a votação de amanhã sobre o casamento civil homossexual. É uma gosta num oceano, mas para nós faz diferença. Eduquem as pessoas que vos rodeiam, para que os vossos irmãos, pais, filhos, sobrinhos, primos, amigos não cheguem a sentir a descriminação que sentimos na pele, e possam ser livres para amar quem quiserem.

"Exm.os Senhores deputados,

No dia 10 de Outubro, o que os(as) deputados(as) que votarem contra a igualdade vão dizer é que as relações homossexuais devem continuar a ser menorizadas, insultadas, vistas como indignas e "diferentes".
Vão reforçar a homofobia, utilizando-a como motivo ou como desculpa.
Vão dizer que as nossas vidas – as vidas de tantas mulheres e de tantos homens em Portugal - são irrelevantes.
Vão dizer que a nossa cidadania é também ela secundária e por isso não cabe em agendas de quem se preocupa com questões "importantes".
Vão dizer que a expressão "direitos fundamentais" é vazia de significado.
Porque a qualidade de uma democracia se mede também pela forma como respeita as suas minorias
e porque é a importância dos direitos fundamentais de uma minoria que é posta em causa por esta votação, espero que o dia 10 de Outubro não seja o dia da vergonha para a democracia portuguesa.

Temos o mesmo direito de amar e zelar pelos que gostamos.

Merecemos a mesma dignidade, os mesmos direitos e o mesmo respeito.

O SEU VOTO CONTRA A INDIFERENÇA.
O CASAMENTO CIVIL É UM DIREITO QUE ASSISTE TODOS(AS) AQUELES(AS) QUE SE AMAM "

Cecília & Maria


terça-feira, agosto 19

Serra da Freita


Para as amantes da natureza, aqui vai uma boa sugestão para gozarem um fim-de-semana grande. Eu gostei. A serra da Freita é pitoreca, envolvida pelos seus castanheiros, carvalhos, regatos, ribeiros e cascatas deliciosas, como a da Frecha da Mizarela. A água é amena, óptima para banhos. Os percursos pedestres são giríssimos, há centenas de coisinhas para explorarmos. As "pedras parideiras", os icnofósseis e as minas de Pena Amarelas também são destinos obrigatórios de visita em Arouca. Aproveitem para caminhar, escalar, subir ao "garrafão" e gritar lá do alto "I'm de king of the world". De longe a longe um pastor chama uma cabrita perdida. Façam BTT, canyoning, rafting, paintball, não faltam opções. Ás adeptas de campismo, o Parque de Merujal é uma boa opção, aconselho que tragam agasalho, pois as noites são frias. Deitem-se ao luar, num monte a observar o céu repleto de estrelas e deixem que essa paz vos invada. Hum, tão bom. Já sinto saudade dos esquilos que nos assaltaram a tenta e comeram os pastéis de nata e do gato vadio, que tentou por diversas vezes colocar a patinha na grelha do entrecosto :))). Acabou convidado a jantar connosco. Adorei. Espero que também gostem.
Maria

sexta-feira, agosto 1

Viagem Medieval

Anualmente, no Verão, realiza-se a Viagem Medieval que proporciona actividades e espectáculos diversos recreativos da Idade Média. Mais um ano que não perdemos.
Mal chegámos, assistimos a um concerto de "elfos" muito divertidos, que nos deliciaram com as suas cantorias, malabarismos e brincadeiras.
____
Comemos uma bela sande de porco no espeto e bebemos uma boa taça de sangria. Hum, tão bommmmm.
Percorremos as barraquinhas quase todas, sim, porque eram muitas e, ao fim de algumas horas, estávamos estoiradas.
A noite foi crescendo com os cortejos:
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real,
luta de soldados, a pega das bruxas e findamos o nosso passeio, com uma comédia alusiva a um advogado aldrabão.
Estava o máximo, rimo-nos muito.
Tantas coisas lindas, não percam, vale sempre a pena.
Cecília

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